Attention:

Certain features of Sigma-Aldrich.com will be down for maintenance the evening of Friday August 18th starting at 8:00 pm CDT until Saturday August 19th at 12:01 pm CDT.   Please note that you still have telephone and email access to our local offices. We apologize for any inconvenience.


No topo do pódio

No topo do pódio
Ana Paula Borgo; André Siqueira; Cristina Moreira

 

Onze mil quinhentos e cinquenta e um: esse é o número de atletas que nas olimpíadas de 2016 foram beneficiados pela inovação constante na ciência.

Em maio de 2016 o Comitê Olímpico Internacional (COI) começou uma reanálise massiva de antidoping nas amostras de atletas que competiram nas olimpíadas de Pequim em 2008 e Londres em 2012, usando técnicas mais recentes de detecção de substâncias proibidas pelo World Anti-Doping Code da World Anti-Doping Agency (WADA). 

Isso resultou na identificação de nada menos que 31 amostras positivas dentre as coletadas para os jogos de Pequim, e 23 dos jogos de Londres. Os atletas receberam suas punições, e os mais de onze mil atletas participantes das olimpíadas no Rio de Janeiro tiveram a chance de uma competição mais justa.

Isso mostra o quão necessária a atualização científica constante é para a superação de desafios como esse. Dentre as substâncias proibidas pela WADA estão não só aquelas que acarretarão numa melhora na performance do atleta, como alguns esteroides e agentes anabólicos, mas também daquelas que ajudarão a mascarar as outras drogas, como por exemplo diuréticos. Além disso, a detecção do chamado gene doping, aumento da expressão genética e biossíntese de determinadas proteínas, representa mais uma montanha a ser escalada pela a comunidade científica na luta contra o doping esportivo.

A constante aparição de novas drogas abusadas desafia os laboratórios de doping a atualizar seus métodos. Hoje, a análise de doping requer a utilização de diversos métodos cromatográficos, de espectrometria de massa e imunológicos. Consequentemente, um grande número de procedimentos analíticos separados resulta num procedimento de rastreio mais complexo e moroso (KOLMONEN et al., 2007).

Os exames de sangue e urina, que podem ser coletados a qualquer momento em campeonatos e competições do atleta, são analisados (WADA, 2009). O COI utiliza diferentes protocolos para a avaliação das amostras em competições e também fora delas. Os principais métodos para a detecção de doping são a Cromatografia gasosa acoplada ao espectrômetro de massas (GC-MS), Cromatografia Líquida Acoplada ao Espectrômetro de Massas (LC-MS), e o Analisador de Imunoensaio que demonstram maior precisão em análises por sua alta sensibilidade. Além disso, estes métodos possuem grande reprodutibilidade e manuseio fácil. (PEREIRA et al., 2002; KIOUSSI et al., 2011). A Cromatografia Líquida com detector de Ultra-Violeta (LC-UV) tem demonstrado limitações acerca da sensibilidade e especificidade, pois não é capaz de coletar informações estruturais sobre o material analisado (PEREIRA et al., 2002).

A cromatografia é uma técnica de separação de substâncias químicas presente em uma determinada amostra com finalidade qualitativa e quantitativa.  A espectrometria de massas (MS) é uma técnica de detecção de química analítica com base na determinação da razão massa/carga dos íons característicos dos analitos estudados (PETERS, 2011). As substâncias coletadas são inseridas no aparelho, onde passam por um processo de ionização, através de uma sobrecarga de elétrons (MORAES; LAGO, 2003). Além disso alguns equipamentos permitem uma segunda etapa conhecida como MS/MS ou espectrometria de massas em tandem que realiza a fragmentação dos íons dos produtos e são característicos para cada analito, aumentando assim a confiabilidade do teste e ajudando na caracterização de substâncias desconhecidas (POZO et al., 2008). 

Várias metodologias vem sendo desenvolvidas para análises em matrizes biológicas tanto para cromatografia líquida quanto gasosa. Atualmente a técnica de GC-MS é a mais utilizada para  análise de efedrinas, anfetaminas e corticosteroides com ótimo custo benefício, separando misturas com até 200 substâncias diferentes, utilizando extração líquido-líquido, cartuchos de extração de fase solida (SPE) e cartuchos de microextração de fase sólida (SPME) seguida de derivatização.  (SKOOG et al., 2002; GARCIA et al., 2005; YANOMINE, 2004; SCHEIDWELLER E HUESTIS, 2006)

Pelander et al. descreveram uma nova abordagem para o rastreio toxicológico abrangente de amostras de urina para fármacos, com base na cromatografia líquida / espectrometria de massa em tempo de voo (LC / TOFMS). Neste método, os fármacos ácidos, neutros e básicos foram extraídos da urina por extração em fase sólida (SPE), seguida de análise de LC / TOFMS por eletrospray de ionização positiva. O método consistiu em aquisição de todo o espectro seguido de calibração interna, pesquisa em um banco de dados alvo de massas monoisotópicas exatas e relato de achados positivos pelos tempos de retenção de LC (RT) e os padrões de metabólitos urinários, se disponíveis (KOLMONEN et al., 2007).

Estes são apenas alguns estudos que vem contribuindo de forma crescente para a evolução e aumento de credibilidade dos processos que asseguram as análises biológicas. 

De acordo com a ABCD (Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem) “Acordar cedo para coletar uma amostra de urina ou sangue, em casa, no hotel, no treino, em competição, após uma disputa acirrada, enfim, independentemente do local ou da hora, nada é motivo para reclamações quando existe compreensão de que os agentes de controle de dopagem estão ali para proteger o atleta que joga limpo, que ama e dedica sua vida ao esporte. Nenhum tipo de constrangimento ou incômodo pode ser maior do que descobrir anos depois que você foi enganado, vítima de fraude e irreversivelmente prejudicado na sua carreira profissional. “

 

Referências:

Kolmonen M., Leinonen A., Pelander A., Ojanpera I., “A general screening method for doping agents in human urine by solid phase extraction and liquid chromatography/time-of-flight mass spectrometry”. Analytica Chimica Acta. 2007; 585:94-102.

Peters FT, “Recent advances of liquid chromatography–(tandem) mass spectrometry in clinical and forensic toxicology,” Clinical Biochemistry, 2011; 44:4–65. 

Skoog, D. A. et al. Princípios da análise instrumental. 5ª. Porto Alegre: Bookman, 2002

Moraes, C. B. M.; Lago, C. L. Espectometria de massas com ionização por "electrospray" aplicada ao estudo de espécies inorgânicas e organometálica. Química Nova, v. 26, n. 4, p. 556-563, 2003.

Garcia, P. R. et al. Determinação de efedrinas em urina por cromatografia em fase gasosa (CG/DNP) para o controle da dopagem no esporte. Revista Brasileira de Ciências Farmacêuticas, v. 41, p. 351-358, 2005

PEREIRA, H. M. G. et al. Análise de glicocorticosteróides por CG-EM: uma abordagem de derivatização para o controle de dopagem no esporte. Quimica Nova, v. 25, n. 6B, p. 1096- 1102, 2002.